segunda-feira, 19 de setembro de 2016

6 anos

Há 6 anos estava eu em Itália, perto de Veneza, numa final de um concurso de Publicidade, quando recebi uma chamada. Era a minha prima, que é como se fosse minha irmã, e eu já sabia o que ela tinha para me dizer. Eu não queria ir a Itália porque tinha medo. A minha avó (paterna) estava doente há algum tempo e eu não queria estar longe. Mas fui. Tinha-me comprometido a estar presente e na verdade não havia grande coisa que pudesse fazer por cá. A minha mãe disse-me que não ia acontecer nada até eu voltar, claro que não. Mas eu tinha um pressentimento, não sei bem porquê. Nesse dia, há 6 anos atrás, a noite já tinha caído e eu estava a visitar um lugar qualquer perto de Jesolo e na altura separei-me dos meus amigos para atender a chamada. A minha prima não precisou de dizer nada, nem uma palavra, para eu saber o que tinha acontecido. Nesse dia, que eu não consigo esquecer, perdi a minha avó. Apesar da distância que nos separava, eu cresci com a minha avó. A minha avó era a típica pessoa do campo e vivia, com o meu avô, num monte no Alentejo. Mas ela adorava vir à cidade e correr os centros comerciais connosco. Mesmo quando se cansava e dizia que precisava de se sentar um bocadinho. Ela era bem pequenina, tinha cerca de 1.40m, mas a sua presença dizia-nos exactamente o contrário. A minha avó era doce, engraçada, ríspida quando tinha de ser, mas sempre com um sorriso na cara. O meu pai também é assim. Talvez eu também seja assim, talvez seja mesmo verdade quando dizem que eu saio a ela. Espero que sim.

No dia seguinte, quando estava em Veneza, recebi outra chamada. Era a minha irmã. O meu avô materno tinha falecido. E toda a beleza incrível da cidade que eu estava a visitar se desvaneceu um bocadinho mais. Amanhã faz 6 anos que a minha vida ficou infinitamente mais pobre.

1 comentário:

  1. Mas que pontaria, logo dois! :/ O melhor de tudo isto é que o tempo acaba por curar as feridas. Não completamente, porque fica sempre a saudade, mas tudo se suaviza com o passar do tempo. Felizmente ainda tenho uma avó (o meu pilar, a única com quem vivi tantos e tantos anos e que continuo a ter presente todos os dias), mas sei como custa perder familiares.

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