quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Não me apetece escrever

Penso muitas vezes: devia escrever. Desde muito cedo que escrevo e leio. A ler comecei logo mal soube fazê-lo, devorava livros como ninguém. A minha mãe não recusava comprar-me jogos, mas sim livros, porque eu lia-os demasiado depressa e ficava logo sem mais nada para ler. Li colecções completas: O Colégio das Quatro Torres, Os Cinco, Uma Aventura... Lia desde Luis Sepúlveda (História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, tão bom) a Maria Teresa Maia Gonzalez (A Lua de Joana, que não entendi totalmente naquela idade). Houve uma altura em que comecei a ler tudo da Torey Hayden, outra em que li uns vinte livros da Agatha Christie e depois comecei a explorar mais a fundo vários autores e tipos de escrita. José Saramago, Manuel Alegre, Jodi Picoult, Lesley Pearse, Haruki Murakami, Ken Follett. Até Nicholas Sparks li (teve de ser para perceber que aquilo é sempre tudo igual e à volta do mesmo). A escrever comecei ligeiramente mais tarde, mas sei que tinha cerca de 14 anos quando me pus a escrever histórias e contos num caderno que ainda guardo algures. Escrevia sobre tudo e mais alguma coisa e adorava fazê-lo. É por isso que muitas vezes penso: devia escrever. E logo de seguida: mas não me apetece. E é exactamente nesse momento que começo a escrever, porque não há altura melhor do dia para escrever do que quando não me apetece mesmo nada fazê-lo.

2 comentários:

  1. Sempre fui mais de escrever do que de ler (agora é ao contrrário). Escrevia muito quando era mais nova, em caderninhos bonitos, diários e depois no blog. Mas acho que os tempos de adolescência foram mesmo propícios a isso: não fui a pessoa mais feliz, estava sempre cheia de medos e dúvidas e com o coração nas mãos...e não há melhor altura para escrever do que quando nos sentimos assim. Pessoas felizes não escrevem tão bem :) Mas enfim, o tempo passa, temos outras responsabilidades, outros afazeres, outra vida e há hábitos que se perdem. Não tenho saudades de escrever porque não tenho saudades de ser aquela pessoa que era quando escrevia, talvez.

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  2. Isto de escrever é um misto de sensações. Tanto nos pode apetecer muito e depois termos noção de que não escrevemos nada de jeito, como a seguir o oposto também se verifica. Claro que é sempre melhor quando sai bem e nos surpreendemos. Mas às vezes sabia bem uns pós de pirlimpimpim quando não nos sai como gostaríamos ahahah

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