quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A minha Sofia

Eu não tenho muitos amigos, é verdade, contam-se pelos dedos aliás, mas tenho duas melhores amigas. Duas amigas que conheço há anos e anos, desde bem pequeninas. Elas sabem perfeitamente tudo o que significam para mim e o quanto gosto delas. Mas eu escrevo, é quem eu sou e o que gosto de fazer, e por isso, teria de escrever também para elas, outra vez, mais uma vez. Hoje não vou escrever para elas, mas sim para uma delas. A Sofia. Eu conheço a Sofia desde sempre, desde que me lembro de existir. Lembro-me exactamente de como ela era, até porque continua praticamente igual. Nós crescemos juntas, tenho esta sorte enorme de manter contacto com várias pessoas com quem cresci, lado a lado. Fomos crianças, fizemos tantas parvoíces, depois entrámos naquela fase da pré-adolescência e fomos tudo o que faz parte nessa altura. Ela apaixonou-se muitas vezes e eu era a sua companheira de aventuras. Sempre bastante mais desinteressada por rapazes. Ela não, era crescida, com uma maturidade bem diferente da minha, que era tão criança. Ela era assim e era a responsável. Eu queria faltar às aulas, mas ela não deixava, estava sempre atenta às horas e lá íamos nós, fazer o que tem de ser feito. Éramos faladoras e sempre criticadas nas reuniões de pais, tínhamos muita coisa a dizer uma à outra, é verdade. E a Sofia cresceu, eu cresci, tornámo-nos as pessoas que somos agora. Mulheres? Parece-me bastante difícil de acreditar... Mas sim, deve ser isso que somos agora. Eu sou reservada e ela sabe disso, mas conhece-me como ninguém. Sabe perfeitamente quando dizer a coisa certa e quando eu preciso de espaço, porque sou assim, pronto. Nem as minhas melhores amigas sabem o que sinto. Não é defeito, é feitio. E ela sabe disso. Mas também sabe que irei correr para ela sempre que precisar e que tem aqui alguém para onde pode correr sempre. Sempre. Passámos por tanta coisa juntas, a vida mudou, chegaram novas pessoas, essas pessoas foram-se embora, mas nós ficámos. As três. Ficámos sempre juntas, algo que eu tinha medo que não acontecesse, mas agora acredito que vai durar para sempre. Sempre as três, mais de 20 (porra) anos juntas. Nós somos as três, sempre as três. Mas hoje este texto é para a Sofia, porque ela vai passar um tempo longe e isso dói-me um bocadinho. Muito, vá. Mas é o que ela quer, é o que é melhor para ela e ela vai estar bem, feliz. Longe, mas feliz. A Sofia foi a única pessoa neste mundo que me escreveu uma carta que me fez chorar, no dia em que fiz 25 anos. Eu que não choro nem com filmes bastante lamechas. Eu que finjo ser dura, uma pequena pedra sem sentimentos. Mas ela sabe que é mentira. E eu também. A Sofia é uma pessoa muito importante para mim, a melhor amiga que alguém pode ter neste mundo. E eu vou ter muitas saudades dela.

3 comentários:

  1. Amizades assim é preciso guardar como um tesouro!

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  2. Gosto tanto que se diga o que se sente! Mesmo que saibam!

    http://agravidezdele.blogspot.pt/

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  3. Não é preciso ter muitas amigos...mas sim amigos de verdade.

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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