quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

3 anos de Maisie

A Maisie não foi comprada. Apesar de ser um labrador puro ela não estava para venda. E essa foi a minha sorte (e a dela). Ela tinha 2 meses e meio e não andava, não conseguia sequer segurar-se nas quatro patas, não tinha força. Não sei qual será a história dela até aquele dia, não sei o que aconteceu, nem quem são os pais dela. Para mim e para ela a nossa história começou naquele dia, uma tarde de domingo. Eu não andava à procura de um cão nem podia sequer ter mais um, já tinha (e tenho) quatro e um gato. Mas o "não posso" nunca funcionou comigo. Fomos àquela loja de animais por acaso naquele dia, apesar de nenhum de nós gostar muito dela temos o hábito de passar por lá sempre que fica de caminho. A loja tem um canil/gatil e era lá que a Maisie estava, tão pequenina, um labrador de nariz cor-de-rosa e olhos clarinhos. Levantou a cabeça e olhou para nós - sinceramente, parecia ter desistido do mundo (como eu te percebo fofinha). Quando olhei para o placar com a informação sobre ela vi que era fêmea, tinha nascido dia 30 de dezembro, tentei ver o preço mas, ao contrário de todos os outros cães, dizia "para adoptar". Achei tão estranho e chamei-a, ela levantou-se e tentou andar a muito custo mas depressa se arrependeu e voltou a deitar-se. Fomos falar com os donos da loja, diziam que não sabiam o que tinha acontecido mas que devia ter algum problema e por isso estava para dar, eles achavam que a Maisie não valia dinheiro nenhum. Estavam tão enganados. Levei-a comigo nesse mesmo dia, depois de pedir para a pegar ao colo não a larguei mais, parecia ter muito menos do que 2 meses e cheirava tão mal. Quando cheguei a casa dei-lhe logo banho, sequei-a e penteei-a. Ela não se queixou nem um bocadinho. Levei-a ao veterinário que a vacinou e me disse que esperasse ela ir crescendo para ver se andava bem. Comecei logo a dar passeios com ela e apesar de não andar muito bem ela foi ficando melhor ao longo do tempo. Sempre teve muito medo das outras pessoas e havia alturas em que nem queria sair de casa do pavor que sentia. Eu não sei o que lhe aconteceu e se calhar é melhor nem saber. Com o tempo deixou de ter medo de ir à rua, mas ainda custa muito a confiar em alguém. A Maisie cresceu comigo, lembro-me de todos os dias ela parecer um bocadinho maior e a verdade é que é um dos maiores labradores que conheço, sendo muito mais alta do que o normal. Aprendeu a sentar, a deitar, a dar as patinhas, a andar sempre perto de mim mesmo sem trela. Anda de carro, vai à praia, vai a todo o lado, viveu em Madrid, gosta muito dos manos e trata-os muito melhor do que eles a ela. Continua muito trapalhona, farta-se de patinar na varanda e rói tudo o que lhe aparece à frente. Mas nunca estragou nada importante e nunca faz porcaria dentro de casa. Faz hoje três anos que a Maisie nasceu, quase três que a tenho comigo e apetece-me agradecer todos os dias por ter estado no sítio certo, à hora certa. Não sei como ia viver sem ela, sem ouvir o ladrar dela sempre que chego a casa, sem tê-la a saltar para cima de mim, sem os nossos passeios, sem a ver todos os dias, sem a poder apertar. A Maisie ensinou-me um amor enorme, um amor diferente, que só quem tem um cão consegue compreender.

Parabéns pequena grandalhona! Obrigada por teres aparecido na nossa vida.




6 comentários:

  1. Somos mais felizes com os nossos bichinhos - que aprendemos a amar de uma forma que algumas pessoas não entendem -do que com certas pessoas deste mundo.
    Um grande beijinho para ti e para essa grande lutadora!

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  2. A Maisie teve muita sorte...infelizmente não há tantas pessoas como tu que na diferença vêem algo mais.
    Parabéns Maisie! É tão bom quando eles fazem parte da família, parte integrante da família. com os meus funciona assim..;)
    Beijinhos
    elisaumarapariganormal.blogspot.com

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  3. Oh, bolas, e não é que fiquei de lágrimas nos olhos??
    Muitos parabéns pela louvável atitude e muitos parabéns, Maisie!! Que venham muitos mais, sempre com essa força e com esse amor!!

    Um grande beijo

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  4. um dos sonhos da minha vida: ter um labrador! :)

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  5. Olha estou sem palavras, é incrível como as coisas não acontecem por acaso. A Maisie estava destinada a ficar contigo, isso é notório. Nem vou comentar o que me vai na alma acerca das lojas de animais. O que penso é demasiado mau!
    O que interessa é que estão as duas felizes! Os labradores são cães maravilhosos. Tenho um preto, puro (este foi comprado...), e é das melhores coisas da minha vida. Só lhe falta falar! Também patina, e rói e essas coisas todas, mas é lindo!
    Um grande beijinho cheio de força, e já agora: votos de um excelente ano 2016 querida : ) Pessoas boas como tu com certeza que vão ter um ano fantástico!
    Mafalda
    http://blogazine.pt/magazines

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  6. Oh pah a vossa história é mesmo linda.
    Que atitude linda a tua.
    Também tenho um labrador adoptado, o Horus, que também foi muito mal tratado depois do dono de 21 anos ter emigrado e deixado o cão com os pais que o acorrentaram e lhe batiam. Quando o fui buscar, o Horus era um cão amedrontado, que fazia xixi mal alguém chegasse perto dele. Calhou bem ter vindo para casa na altura que o meu pai estava desempregado. O Horus tornou-se o fiel amigo dele e o meu pai tirou-lhe os medos com os passeios, as escovagens, os treinos. Hoje o Horus espera todos os dias pelo meu pai sentado em frente ao portão à hora a que o meu pai costuma chegar e se ele ºao chegar a essa hora não sai dali, ou vem para frente da porta da cozinha andar ás voltas.

    Os animais são incríveis.

    Beijinhos para ti e umas festinhas para a Maisie.

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