segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O dia em que fui ao casamento dos meus avós

Eu teria uns 7 ou 8 anos quando fui a este casamento tão especial. Os meus avós já estavam juntos desde que eu me lembro, mas decidiram casar-se. Toda a minha família mora no Alentejo, por isso não se pode dizer que eu tenha propriamente crescido com os meus avós. Eu só os via de mês a mês, mas não era por isso que tínhamos uma relação menos chegada. Lembro-me perfeitamente de fins-de-semana passados por entre as casas de toda a família e do Natal, que era sempre passado por lá. A véspera de Natal na casa dos avós maternos e o almoço na dos paternos. Eu não me lembro de tudo, claro, mas lembro-me muito bem de certas coisas, o casamento dos meus avós é um daqueles momentos que me lembro vagamente e as fotografias trazem o resto das recordações. Sei que na altura não percebi muito bem porque eles se iam casar, se eles já estavam juntos há tanto tempo. Na altura eu não sabia que aquela avó não era de sangue, porque para mim ela era a minha avó, sempre tinha sido. O dia foi bonito, foi um casamento diferente, mas com tanto significado. Gostava de me lembrar de mais coisas, de me recordar como se tivesse sido ontem, mas não. Porque a verdade é que recordamos mais facilmente os momentos difíceis, do que os bonitos. Lembro-me muito melhor do dia, passado pouco tempo, em que esta minha avó morreu. Lembro-me do que senti, da confusão que foi na minha cabeça, de finalmente perceber o que acontece às pessoas e que não ficamos cá para sempre. Foi a primeira tristeza a sério que tive na vida, o primeiro choque e isso deixou-me muito em baixo. Eu tinha apenas 10 anos e, durante algum tempo, a tristeza deu conta de mim. Ela faleceu quando eu estava de férias e quando começou o ano lectivo, passado 3 meses, eu não quis ir. Eu não queria estar sozinha, tinha medo de tudo e não largava nem por nada a minha mãe. Foi uma dificuldade enorme convencerem-me a ir para a escola, mas acabei por ir. Lembro-me que não foram tempos fáceis e ainda hoje recordo essa altura como muito triste mesmo, algo que uma criança nunca deve sentir. Não sei porque fiquei assim, é claro que é normal haver o choque da morte, mas não creio que seja normal demorar tanto tempo a sarar. Mas foi nessa altura que percebi que o tempo cura tudo (ou quase tudo).

2 comentários:

  1. ohh que giro! nunca conheci ninguem que fosse ao casamentos dos avós, mas acho que é super adoravel! beijinhos

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  2. Muito engraçado uma neta ir ao casamento dos avós!!

    http://adorosercomosou.blogspot.pt/

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