sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Como prometido, vamos lá falar de praxes

Este é um assunto que tem sempre muito para dizer, com várias opiniões diferentes a surgir. Isto acontece porque as praxes não são uma coisa igual em todo o lado e cada um tem uma forma diferente de as ver. Quando eu entrei para a faculdade tinha 17 anos e logo no primeiro dia perguntaram-me: és anti-praxe? Eu respondi prontamente: não, mas também não vou participar. Eles lá tentaram convencer-me dizendo que era uma óptima forma de me integrar e conhecer pessoas... tretas. Eu conheci muitas pessoas no infantário (e amigos para a vida) e nunca fui praxada. Não participei nas praxes e não foi por isso que não conheci pessoas, de qualquer forma eu acabei por mudar de curso porque estudar Matemática Aplicada não era bem o que eu esperava (eu sei, sou maluca). Mudei de curso e de faculdade. Já conhecia esta nova faculdade para onde ia e até já conhecia algumas pessoas, sabia que as praxes eram uma coisa comum por lá, mas isso não me assustava. Eu não ia participar certamente. Cheguei lá no dia das inscrições e vieram logo umas miúdas perguntar-me qual era o meu curso e logo de seguida espetaram-me as iniciais do curso na cara. Depois perguntaram a minha média e decidiram escrevê-la também. Ainda pensei perguntar se também queriam saber a cor das minhas cuecas e escrevê-la na minha testa, mas contive-me. Elas utilizaram a desculpa do tempo de espera para as inscrições para praxarem os alunos, disseram-me para me juntar aos outros para "nos conhecermos melhor". Lá fui. Podia ser que não fosse nada de grave. Estava tudo sentado no chão e cada um falava de si, até aqui tudo bem. Depois começou a parvoíce. Mandaram toda a gente encostar-se à parede e começou a gritaria. Os meus pais nunca gritaram comigo, não estou a ver como é que um monte de miúdos com praticamente a mesma idade que eu pensou que poderia fazê-lo. Comecei a ignorar o que diziam, mas fiquei por ali. Até que mandam toda a gente fazer duas filas e virarem-se uns para os outros para simularem frente a frente um orgasmo. Isto mesmo. Eu sei que existe muita gente que deve achar piada a isto, tão giro, tão divertido. Mas epa, eu não tenho 13 anos. Mandei-os dar uma curva e fui para dentro da escola, esperar pela minha vez para me inscrever e me ir embora dali. As praxes oficiais eram na semana seguinte, a anterior às aulas começarem, e eu estive tranquilamente em Itália, enquanto várias pessoas faziam flexões ao som de gritos. Eu acho que este pessoal que tem necessidade de estar aos berros com os outros deve ter vários problemas de auto-estima, mas pronto. Não participei nas praxes, não me vesti de pinguim (sim, também não gosto dos trajes) e não fiz queima das fitas. Acabei o curso em 3 anos como suposto, conheci muita gente, fui a festas e diverti-me imenso. Aprendi muita coisa, tive algumas notas más e outras muito boas. Chorei, ri, brinquei e também trabalhei a sério. Passei lá dias inteiros, das 8 da manhã às 10 da noite. Não precisei de andar a perder o meu tempo a rastejar na lama e com penicos na cabeça para me divertir. Se querem integrar-se sejam boas pessoas, ajudem-se uns aos outros e trabalhem. Tirem tempo para se divertirem, para se conhecerem melhor. Vivam a faculdade da melhor forma possível e não percam tempo a fazer coisas estúpidas que podem mudar a vossa vida para sempre. Se gostam das praxes óptimo, mas não sejam parvos, tenham atitude e não me venham cá dizer que até foi giro andar com uma placa a dizer "sou burro que nem uma porta" ao pescoço. Epa, eu não andaria, até porque se é para andar com alguma coisa ao pescoço ao menos que seja verdade.

8 comentários:

  1. Também não fui praxada (nem sequer fui abordada como tu) e fiquei um pouco chocada com o que contaste! A sério que uma das primeiras coisas que fazem numa praxe é simular cenas sexuais? Que raio de rito de passagem.
    Os veteranos que praxam parecem bullys disfarçados.
    Gostei da tua história e gostei da tua atitude! Faria a mesma coisa. (acho que nem deixava que me pintassem a cara =P)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se fosse hoje eu também não deixaria, mas lá está eles fazem tudo de forma para que as pessoas, que não conhecem grande coisa e são novas por ali, se sintam quase encurraladas!

      Eliminar
  2. Concordo totalmente... Novo post no meu blog <3
    http://1100days.blogspot.pt/2015/09/sporty-chic.html#more

    Se gostares segue-me <3

    Instagram: sofiabeatriz96

    ResponderEliminar
  3. Nem mais!
    Óptimo exemplo na 1ª pessoa. Se todos fizessem como tu, das duas uma: ou as praxes deixavam de ser tão agressivas (sob pena de ninguém participar), ou acabavam-se de vez. QUalquer uma delas era melhor do que o que há agora.

    ResponderEliminar
  4. Também não concordo nada com estas loucuras que podem acabar mal...

    http://adorosercomosou.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  5. como disse, gostei muito das minhas praxes.
    as únicas coisas que recusei fazer foi, no dia do desfile, usar um chapéu com o formato do cabelo do Gil (aqueles bonecos da Expo 98, o Gil e a Docas) e no final ir para dentro de um lagozinho que há no parque ao pé da Universidade.
    de resto, todas as brincadeiras integraram super bem os alunos, mas quando mudei de faculdade também não precisei das praxes para me integrar.
    isto é como tudo, há coisas boas e más em todo o lado :)

    um beijinho*
    Dreams and Lemonade

    ResponderEliminar
  6. As minhas praxes nao foram más de todo mas ha sempre situações que se dispensava. . . Tb acho que às vezes exageram.

    ResponderEliminar
  7. Fui praxada desde o momento de inscrição e sou praxista. Ouço coisas muito más, ouço coisas absurdas, ouço verdadeiras atrocidades que se praticam em algumas faculdades. Tudo depende, essencialmente, das casas. Na faculdade onde fui praxada nunca se fez (e acredito que nunca se fará) nada como pintar as pessoas, pô-las a rastejar, sujá-las de algumas forma, fazer flexões. É tudo à base de jogos e atividades que fomentem o espírito de equipa e uniao, o sentido de desenrasque. Claro que há sempre quem abuse mais, mas nunca ouvi nenhum praxista tratar mal um caloiro (ou qualquer outra pessoa em praxe). Não lhes chamamos burros, bestas nem nada que se pareça. Não obrigamos ninguém a nada. Pelo contrário, os caloiros sabem (e fazemos questão de o frisar imensas vezes) que podem e devem dizer que não querem fazer isto ou aquilo, que não se sentem bem, que não gostaram que dissessem/fizessem isto ou aquilo com eles. Das maiores preocupações que temos passam por perguntar constantemente se estão bem, se precisam de ir à casa de banho/comer, se têm aulas. Ah, porque ninguém lhes diz que devem faltar às aulas para estar lá e ninguém os vai buscar Às portas: os caloiros vão quando querem, se assim entenderem, o tempo que quiserem.

    Claro que tem as suas especificidades. Claro que nem tudo são rosas. É normal que mais para a frente deixe de ser com o intuito de integração e as coisas comecem a ser mais no sentido de passar a tradição praxistica, o respeito pelas hierarquias, essas coisas todas com as quais nem sempre concordo (não concordo com tudo!). Mas, essencialmente, gosto de praxe. Gosto do que representa. Gosto daquilo que vivi em praxe e pela praxe, das pessoas que conheci, dos amigos para a vida que fiz. Claro que se não fosse praxista teria amigos na mesma, a faculdade seria na mesma uma altura bonita da minha vida, mas tenho a certeza que não teria sido tão feliz como fui nestes 5 anos (a praxar e a ser praxada).

    Acho que Às vezes vamos tão cheios de nós para as coisas, tão "ai eu nunca faria isto", "nunca deixaria que me falassem assim!" que acabamos por perder as coisas. Há pessoas que se levam muito a serio. Se a atitude for mais na descontração, se levarmos a praxe como um jogo, não há motivo para tanta discussão nem as pessoas se sentiriam tão melindradas com coisinhas de nada.

    ResponderEliminar